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Transtorno de Pânico

  • Foto do escritor: Tatiane Farias
    Tatiane Farias
  • 16 de mar. de 2022
  • 5 min de leitura

Atualizado: 15 de mar. de 2023

O transtorno de pânico (TP) é a recorrência de sintomas físicos e emocionais intensos, que geram bastante medo e desconforto, e podem acontecer com qualquer pessoa, de repente, em qualquer local ou situação. Chamamos estas sensações corporais intensas de ataques de pânico (falta de ar, aceleração dos batimentos cardíacos, sensações de calor ou frio, sufocamento, tontura, sudorese, perda de controle urinário, náuseas, dores na região do peito). Essas sensações geralmente vêm acompanhadas de algum medo em relação a estas sensações, como medo de morrer, ter um ataque cardíaco, perder o controle ou enlouquecer. Por conta de todo este desconforto, surgem preocupações frequentes sobre ter um novo episódio ou sobre as consequências de se ter episódios recorrentes. Estas preocupações podem trazer prejuízos e limitações a quem vivencia essas sensações.


Se você se identificou com o que foi descrito, note que algumas situações podem ser ativadoras de ataques de pânico, como por exemplo: estar só, realizar esforço excessivo, dirigir ou passar em túneis ou pontes, multidões, lugares altos, trens, aviões e elevadores. Repare que o medo e a evitação acabam por atrapalhar sua rotina. A tendência é que, a partir das evitações, ocorram restrições ocupacionais, sociais, familiares e prejuízos no bem-estar e na qualidade de vida.


A principal informação que você que sofre com Transtorno de Pânico precisa ter é que todas essas sensações que você experimenta no seu corpo, apesar de serem realmente desconfortáveis, não são perigosas da forma como você talvez imagina. As sensações de um ataque de pânico fazem parte da ativação de um sistema de defesa do organismo para que possamos lidar com as adversidades. Cada sensação tem uma função específica que preza pela nossa sobrevivência. Este sistema é acionado em momentos de perigo e serve para nos alertar e nos proteger. Porém, quando ele fica “desregulado”, ele é ativado sem real necessidade e pode vir a trazer grande desconforto, o que, no entanto, não quer dizer que um perigo realmente exista. Ou seja, é apenas um alarme falso, mas esse alarme acaba por ativar todo o corpo. Da mesma forma que nosso corpo possui um alarme que nos prepara para a defesa e ativa tantas sensações, ele também tem um sistema de reparação que consegue nos autorregular, fazendo com que as sensações desconfortáveis desapareçam. Isto quer dizer que sua ansiedade não pode e não vai crescer infinitamente!


Como os meus pensamentos podem influenciar no Transtorno de Pânico?

Sabe-se que a maneira como avaliamos/pensamos sobre uma situação, influencia diretamente a maneira como nos sentimos, nos comportamos e como nosso corpo responde por meio de reações fisiológicas. Quando pensamos, nossa tendência é considerar cada pensamento como uma verdade absoluta. No entanto, não nos atentamos que, em alguns momentos, podemos nos enganar nas nossas avaliações sobre os acontecimentos. Se, por algum motivo, fazemos uma interpretação não realista ou inadequada das situações, ou até de nossas sensações, teremos reações emocionais, comportamentais e fisiológicas coerentes com esta interpretação. Ou seja, podemos sofrer sem ter uma real necessidade, ou exagerar o real desconforto que uma situação pode proporcionar.

No Transtorno de Pânico, a forma como você avalia as sensações corporais é fundamental para influenciar o nível de desconforto que sente. Verifique como você possui uma tendência ao direcionamento da atenção para as suas sensações, e que os pensamentos ou avaliações que costuma ter sobre elas são geralmente catastróficas! Ou seja, você tende a antecipar os piores desfechos possíveis em relação ao desconforto que sente (“Estou morrendo”, “Não vou aguentar”, “Estou enlouquecendo”, “Vou perder o controle”). Estas interpretações sobre perigo e vulnerabilidade costumam aumentar ainda mais a ansiedade.


Como o meu problema pode estar sendo mantido?

Um fator que mantém o problema é a forma como se interpreta as sensações corporais. Se a interpretação é de perigo, o corpo irá reagir provocando as sensações de ansiedade como mecanismo de proteção. Ao se perceber estas sensações corporais de forma crescente, a consequência é se preocupar ainda mais, de forma catastrófica. Diante de tantos pensamentos e sensações, a tendência é que um ataque de pânico realmente venha a acontecer.


Quando se percebe a ocorrência das sensações, o próximo passo na manutenção do problema é buscar uma saída. Você já deve ter notado que geralmente a saída escolhida é a evitação. Ao evitar as situações que causam a ansiedade, automaticamente você obtém uma sensação de alívio. No entanto, este comportamento traz um conforto de caráter apenas imediato, e isto acaba por reforçar ainda mais o TP, pois você aprende que a maneira que pode lidar com as sensações é tentando se livrar da sua ocorrência. Além disso, ao se manter evitativo, em longo prazo você se sente mais incapaz de lidar com o problema, muitas vezes se criticando por isso e reduzindo sua autoestima (Rangé, Borba, & Melo, 2011).


Assim, outro aspecto de manutenção se faz presente, a ansiedade antecipatória: você desenvolve a preocupação de que um ataque de pânico possa ocorrer novamente, antecipa esta ocorrência, lembra que não é capaz de lidar com as sensações, aumenta o nível de ansiedade, o que, consequentemente, favorece que um novo ataque de pânico realmente venha a acontecer.


Não aceitar ou entender que as sensações podem acontecer é que faz com que você tente evitar qualquer ocorrência de ansiedade. E viver sem sentir ansiedade é impossível, pois ela faz parte das características dos seres humanos. Acreditar que não se deve sentir ansiedade, que a ansiedade não terá fim, ou que o próprio fim é uma tragédia, provoca evitações emocionais, situacionais e também de pensamento. Qualquer evitação gera um alívio em curto prazo, pois temporariamente o contato com o “problema” é interrompido. Porém, em longo prazo, o problema continua fazendo parte da sua vida, o que prolonga seu sofrimento e gera cada vez mais ideias de incapacidade e vulnerabilidade, gerando muita frustração e limitações.


Como posso lidar com o Transtorno de Pânico?

Durante o tratamento cognitivo-comportamental, você irá aprender diversas estratégias que o ajudarão a lidar com o Transtorno de Pânico, como:


Aceitação da ansiedade: Você aprenderá a aceitar e lidar com as suas próprias sensações, sem tentar afastá-las. Vai entender que ao resistir, acabará por prolongar ainda mais o seu desconforto. A melhor forma de enfrentar o Transtorno de Pânico é conviver com suas sensações, caso elas venham a acontecer.


Manejo de sintomas: Você aprenderá estratégias para lidar com seus sintomas, irá treinar seu corpo a diminuir a ativação provocada pela ansiedade, reduzindo a intensidade das sensações corporais e, em consequência, as interpretações sobre perda de controle a respeito do próprio corpo. Uma maneira de fazer isso é através de técnicas de respiração, que precisarão ser constantemente praticadas para que você consiga utilizá-las nos momentos em que precisar.


Questionar pensamentos: Durante a psicoterapia, você também aprenderá a relativizar a maneira como você pensa sobre as sensações que costuma ter, e a questionar a validade de seus pensamentos, buscando se basear em evidências. Ou seja, vai se questionar se a forma como interpreta suas sensações condiz mesmo com o que acontece na realidade e se há uma maneira alternativa de entender o perigo que costuma antecipar. Você já parou para se perguntar se tudo que você teme realmente acontece?


Enfrentamento: Você irá aprender estratégias que o ajudarão a enfrentar as situações que costuma evitar, de forma gradual e no seu tempo. Vai descobrir que o enfrentamento é o que realmente diminui o seu medo, e não a evitação. Ou seja, sua emoção será diferente nos ambientes e situações em que agora sente medo. Enfrentar também é uma forma de testar se o que você tem medo de fato acontece da maneira como você geralmente antecipa e imagina.


Referência: CARVALHO, Marcele R.; MALAGRIS, Lucia E. N.; RANGÉ, Bernard, P. - Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental - Novo Hamburgo: Sinopsys, 2019


Procure a ajuda de um profissional qualificado, Transtorno de Pânico tem tratamento.


Tatiane C. Farias | CRP: 06/157858

Psicóloga Clínica | Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)

E-mail: psicologa.tatianefarias@gmail.com


 
 
 

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